Realidade e Informação

23 de agosto de 2009

“ Não há ciência livre de filosofia; só há ciência cuja carga filosófica se há admitido sem exame”
Daniel Dennett

O nosso conhecimento é composto por informações, e o articular destas é feito pelas tecnologias da inteligência, logo nossa realidade é o produto do que fizemos com esse agir. Nos relacionamos com a informação em casa, no trabalho, na rua , na escola e no lazer, participamos de um mundo onde a informação é poder.
A cibernética e a Informática são as disciplinas que manejam as informações do mundo contemporâneo, e é necessária uma especulação filosófica em ambas para podermos ser capazes de entender a metamorfose social e intelectual causadas por essas criadoras de novas tecnologias.
O termo filosofar para Bolzano designa toda a reflexão enfocando o relacionamento de fundamentação e conseqüência, causa primeira ou efeito, qualquer que seja o objeto; de tal modo que não há uma única ciência nem um objeto em que e sobre o qual não possam ser feitas análises filosóficas.
Deste modo este trabalho busca mostrar como são as relações da tecnologia com o mundo, e de que maneiras estão influindo no mesmo, para podermos ter uma melhor compreensão da realidade.
Tecnologias de controle da Informação

O homem cada vez mais se relaciona com a forma que o mundo é entendido, e o modo como a realidade é interpretada. Para a ciberfilosofia a realidade se reduz a informação, não sendo outra coisa que informação em quantidade massiva, relacionando-se com o pensamento e a linguagem. No mundo das idéias de Platão, onde a forma e a matéria têm sua origem no pensamento, a informação é nau para esse processo. Valendo-nos de Aristóteles, podemos dizer que o que é em potência só se concretizará em ato através de informação.
Estes conceitos de realidade nos trazem um universo determinista, onde somos organicamente um agregado de informações que estão no nosso DNA desde o nascimento, onde as informações que recebemos hoje delineiam os atos do nosso amanhã.
O mundo pulsa em uma imensa quantidade de informações disponíveis de modo caótico, onde a incerteza e a contingência são legítimas em um universo em que o caos resulta ser mais provável que a ordem. Estas informações nas quais estamos submersos, nos levam a perguntar: Como é a regra da realidade ?
Para Quiroz (1998, pág.129):

“A regra da realidade e o manejo da informação é uma questão de tecnologias. A realidade é, portanto conseqüência da tecnologia no sentido de a realidade ser informação, e o manejo da informação é o objetivo último de toda tecnologia.”

Assim, para compreendermos a realidade, precisamos saber dos processos tecnológicos e suas relações com o mundo. Como são essas relações ? De que maneiras nos estão influindo ? Para podermos responder a essas questões é necessária uma especulação através da cibernética e da informática como principais condutoras de tecnologia para a sociedade.
Em primeiro lugar temos que esclarecer os conceitos de cibernética e informática, para evitar confusões de interpretação. O termo cibernética – do Grego Kybernítis – Passou por várias transformações semânticas, Platão cerca de 27 séculos antes a empregou no sentido de “ciência utilizada pelo timoneiro para pilotar navio”; Ducrocq (1959, pág 5) busca a origem da palavra cibernética no mais tardar no século VI antes de nossa era.

“…Desde o século sexto antes do nascimento de Cristo ele (Teseu) foi venerado num culto particular. Todo ano festejava-se a lembrança da viagem de Teseu a Creta com bastante festas que se estendiam do sexto ao décimo segundo pianepsião (outubro). Encontraram seu apogeu nos “cibernésios. Festas que glorificavam a arte da pilotagem e que eram comemoradas na noite do sexto dia; segundo a lenda, essas festas foram instituídas pelo próprio Teseu em homenagem aos dois pilotos do mar, Nausithoos e Faiax, que o conduziram a Creta e aos quais ele teria erigido um santuário.”

O físico francês Ampère, em 1843, deu-lhe o sentido de ciência do controle da sociedade; Norbert Wiener em 1948 batizou com ela a teoria de vários sistemas naturais e artificiais de comunicação e controle, como a neurofisiologia, a computação automática e outros sistemas de processamento da informação, além da teoria da informação, a automação e os chamados servossistemas, de que o termostato é uma espécie de primo pobre, assim como o ábaco é um antepassado remoto do computador eletrônico.

Este é o conceito de cibernética nas palavras de Wiener (1948,pág.19):

“Decidimos denominar todo o reino da teoria do comando e da transmissão de informações, quer sejam em máquinas ou em seres vivos, de cybernetics.”

Nesse sentido a cibernética é então um sistema erigido sobre conceitos abstratos, lógicos, matemáticos. Como no caso da filosofia, alguns autores relacionam também a cibernética com um saber “da organização originária do espírito humano”. Para Gotthard Günther (1957, pp. 37-38).
“A significação mais profunda, transcendental, da cibernética também se desvenda a nós na temática da subjetividade, mais precisamente na tentativa de transpor o abismo entre eu e você por meio da construção de um mecanismo de produção de informação e de realização de comunicação.”

Günther considera aqui que “a organização originária do espírito humano” é imitada tecnicamente, embora não para a expressão da intersubjetividade comum, mas sim como “realização perfeita do método da técnica” (ibid.).

A palavra informática foi, apresentada oficialmente no III Congresso Internacional de Documentação, Tóquio (1967) por Mikhailov, que apresentou Dreyfus como um dos cunhadores da palavra. Na definição de Mikhailov, informática é a disciplina científica que estuda as estruturas e as propriedades (mas não o conteúdo específico) da informação científica. Seu fim é desenvolver métodos e procedimentos que otimizem a representação (fixação, gravação), coleção, o processamento analítico-sintético e a disseminação da informação científica.
Na definição original de Dreyfus(1) informática é a ciência do tratamento automático e racional da informação considerada como suporte dos conhecimentos e das comunicações.

1- Verbete redigido para a enciclopédia Larousse e comunicado em anexo à carta de Philippe Dreyfus (28 de outubro de 1968) ao prof. Benedito Silva Diretor do INDOC.

Como o tratamento automático e racional da informação é, na classificação de Wiener um sistema cibernético, é gerada uma certa confusão sobre os conceitos de cibernética e informática.
Enquanto a informática é informação exata, disciplina do tratamento racional de dados, a cibernética nos vem explicar os mecanismos de apreensão e aproveitamento dessa informação, transformando-a em carta e guia de pilotos ensinando-nos a manter em exata meta, os vários processos tecnológicos que permitem a condução dos grupos humanos a uma realidade benquista.
Antonio Garcia de Miranda Neto, membro do Conselho Curador da Fundação Getúlio Vargas, aponta para a o tratamento da informação como ponto de partida para essa realidade benquista (1973, pág. 9):

“A gravidade dos problemas fundamentais aumenta, em ritmo exponencial (explosão demográfica, poluições múltiplas que ameaçam o equilíbrio biológico da natureza e o equilíbrio mental do homem, temor de uma catástrofe nuclear…). Isso exige imediata e geral mobilização, não só das consciências como das práticas. E qual seria o ponto de partida para uma ação capaz de corrigir tão ameaçadoras distorções? Não hesito em responder: Informação exata, em quantidade suficiente, sua transformação em documento utilizável, tratamento dos dados, sua filtragem e escolha”.

Para conhecermos essa realidade teremos que conhecer a nossa atual realidade, o processo resultante da tecnologia do trabalho, educação, saúde…, para podermos em um feedback, corrigir o curso do processo tecnológico.

Tecnologia e trabalho

Com o avanço tecnológico são inevitáveis as mudanças no tipo de mercado e de mercadorias de bens de consumo que devem seguir as novas necessidades dos homens. A natureza do trabalho muda de paradigmas pelo processo de globalização e a tecnologia de ponta, formando estágios de evolução. No texto “Trabalho assalariado e capital”, Marx (1981, p.38) assinala:
“As relações de produção na sua totalidade formam aquilo a que se dá o nome de relações sociais, a sociedade, e na verdade uma sociedade num estágio determinado, histórico, de desenvolvimento, uma sociedade com caráter peculiar, diferenciado. A sociedade antiga, a sociedade feudal, a sociedade burguesa são outras tantas totalidades de relações de produção, cada uma das quais designa ao mesmo tempo um estágio particular de desenvolvimento na história da humanidade.”

A palavra trabalho, etimologicamente vem do vocábulo latino tripaliare, associado a um instrumento de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão, onde os escravos eram supliciados. Na bíblia, o castigo de Adão e Eva foi trabalhar, “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra; porque dela foste tomado: portanto és pó e em pó te tornarás”(GENESIS,3:19). A mitologia explica a rotina de trabalho com Prometeu. Na antiguidade, a sociedade era dividida em classes sociais, sendo o último degrau da sociedade reservado aos trabalhadores, que eram servos ou escravos.
A noção dos gregos acerca do trabalho foi modificada com o advento das máquinas. O capitalismo e a política econômica da época exigiram que o artesão se tornasse assalariado.
No dizer do jurista e sociólogo Joaquim PIMENTA “In Sociologia Jurídica do Trabalho” (1994, pág.45):

“se o fato econômico ou a técnica da produção realiza o milagre do transformismo social, como pretendem os marxistas, esta mesma técnica pressupõe sempre um meio social, um grupo humano que, além de a submeter a regras e a normas rituais que a conservem e perpetuem, ainda se converte em laboratório de experiências coletivas, de noções, de idéias, de conhecimentos com os quais o poder inventivo do homem jamais teria alcançado tão alta e surpreendente expressão”.

Essa transformação social realizada pela tecnologia, vai tirando o sentido de tortura do trabalho, otimizando e proporcionando mais tempo livre ao homem para realizar novas experiências. Marcuse (1982, pág.24), diz:

“Os processos tecnológicos de mecanização e padronização, podem liberar energia individual para um domínio de liberdade ainda desconhecido, para além da necessidade”

A busca de produtividade e crescimento fez com que as máquinas fossem aperfeiçoadas e hoje, a revolução tecnológica é reconhecida como pré-requisito para o desenvolvimento. O critério para colocar um país no conceito de 1o. mundo é a tecnologia.

Tecnologia e Educação

A informática nos trouxe uma 3a. linguagem, a linguagem multimídia, composta por várias tecnologias de software e hardware, os softwares cada vez mais aumentando seu feedback e melhorando sua interface, proporcionando uma linguagem dinâmica e de fácil cognição.
O hardware se diversificou em constantes novidades de mercado, máquinas fotográficas digitais, webcans, scanners, dvd’s, gravadoras, processadores mais velozes. Variada linha de periféricos, tudo dando suporte a essa linguagem gerada em um contexto social capitalista. A escola aparece nesse contexto cibernético capitalista sem identidade, e ainda não alfabetizado para essa nova linguagem.
Os softwares didáticos aguçam o processo de cognição, e abrangem todas as ciências, sejam como aplicativos para determinadas disciplinas ou enciclopédias áudio visuais. Os jogos digitais , tidos antes como vilões da educação, se apresentam hoje como uma grande ferramenta no processo de aprendizagem.
O instrucionismo (abordagem instrucionista) é o processo de domínio da máquina como instrumento de informação. O computador é uma ferramenta a serviço do processo pedagógico, e nele se dá também a construção da informação.
O construcionismo (filosofia de Papert) é a construção da informação, no construcionismo ele a escreve, a internet é exemplo disso, onde de um lado é construída a informação e do outro lado ela é lida.
O educador nesse contexto é responsável pela construção da informação, e não comodamente simples usuário da informação.
Fazendo ativo assim um processo pedagógico dinâmico, interagindo com a informação on-line que recebe do mundo contemporâneo para Jayme Paviani (1988, pág. 22):

“O professor, no sentido pleno, é aquele que reflete sobre a própria experiência”

O aprendizado acontece quando acontece a cognição da informação. Quanto mais atraente a informação, maior o processo de cognição. A estética da informação é a maneira mais atraente nesse processo, o aluno tradicional vê no livro a figura do jacaré informando a zoologia do Mato Grosso. O aluno nesse novo processo multimídia visualiza o jacaré se alimentando, sendo caçado, preservado, comercializado, ficando assim exposto a um maior processo de reflexão, formando assim um maior relacionamento, e senso crítico da informação.
Para esse novo relacionamento abre-se um espaço para novos conceitos, para Freire educação é a busca constante do homem, que deve ser o sujeito de sua própria educação.

“A educação não se reduz a técnica, mas não se faz educação sem ela: utilizar computadores na educação, em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica de nossos meninos e meninas. Depende de quem os usa, a favor de que e de quem e para quê.” (Freire 1995 pág.98)

“O homem concreto deve se instrumentar com os recursos da ciência e da tecnologia para melhor lutar pela causa de sua humanização e de sua libertação” (Freire, 1979 pág.22)
Tecnologia e Arte

A Estética é disciplina que estuda a arte, derivada do grego “Aisteses” (percepção), remete a compreensão proveniente da apreensão sensível, a intuição da beleza pelo próprio conhecimento que temos dela. A beleza supõe por tanto uma relação de informação do ser com o objeto, logo toda a compreensão da beleza pela inteligência depende dos meios de percepção.
Na história da arte a técnica sempre buscou refinar a obra para uma melhor percepção. Pertencem ao paleolítico final, cerca de 35.000 anos, as mais antigas obras de arte conhecidas, entre as mais antigas obras de arte encontram-se as estatuetas de marfim de mamute, que apareceram em uma caverna no sudoeste da Alemanha. São de tal maneira bem acabadas, que representam forçosamente o fruto de uma longa tradição no uso da técnica.
A técnica nasceu da necessidade de controlar e dominar processos que venham a facilitar o desejo do homem (na obra de arte é o desejo do ideal), é o conjunto de conhecimentos definidos e sistemáticos que deve anteceder ao trabalho.
O homem pré-histórico em seus primeiros passos rumo a técnica, iniciou com uma limitada paleta de cores, restrita ao preto, branco, amarelos e marrons, obtidos com madeira, ossos queimados, gesso, sangue e terra de cor. Os egípcios na idade do bronze, já haviam ampliado a paleta de cores pelo conhecimento do manejo dos minerais, obtinham o roxo do cinábrio, azul da azurita, verde da malaquita, e amarelo do oropimente. Com a busca incessante de materiais que levassem a obra ao ideal o homem fez da tecnologia base para sua arte.
A Fotografia foi o primeiro passo, a cópia da natureza perseguida pelos renascentistas encontrava-se agora concretizada, ganhando uma existência serial, possibilitando o original ir ao observador nas situações mais adversas. O cinema rodando 24 frames por segundo, permitiu o movimento, era criada pela tecnologia a 7a arte.
A possibilidade de escolher os quadros a serem editados levou a arte mais próximo do ideal, Chaplin para produzir o filme A opinião pública com uma duração de 3000 m de película, filmou 125000 m. O filme é, pois, a mais perfectível obra de arte.
Com o surgimento da Computação Gráfica o cinema ganha mais poder de criatividade, realidades virtuais são colocadas como cenários, e personagens cibernéticos ganham papel de atores, ficando a produção economicamente mais viável, facilitando o acesso a arte e desmistificado o papel elitizante que a nossa cultura atribui a arte.
A arte está hoje no design dos móveis, na interface do aplicativo, no outdoor da rua, enfim, em todas nossas relações com o mundo. A arte contemporânea é conceitual, na pintura e na escultura o que vale é a informação, o artista não toca mais na obra para criar.

Tecnologia e o homem

O homem na sua endoculturação é aprisionado pela necessidade do acesso a tecnologia da informática e da cibernética , o usuário doméstico necessita do computador para auxiliar na educação, para o acesso a internet onde faz sua declaração de imposto de renda, e-mail, pesquisa, cadastros para vestibulares, acesso bancário, compra de produtos. As empresas e Instituições são prisioneiras de seus bancos de dados e a indústria prisioneira de sua robótica. Todo esse processo em sentido crescente, ROMER, guru econômico da era da Internet, Professor da Universidade de Stanford, na Califórnia, pai da reengenharia e candidato ao prêmio Nobel, diz que o chip custará um centavo. Isso quer dizer que estarão por toda a parte e todos serão beneficiados. Segundo ROMER, em entrevista à revista Veja, para a seção Economia e Negócios (07/07/1999,p.128), a mudança radical que está ocorrendo no capitalismo, além da globalização, é o avanço técnico científico: Sai o átomo, entra o bit do computador.
Essa mudança de paradigmas traz mudanças antropológicas, Norbert Wiener na sua obra Cibernética e Sociedade já indicava a necessidade de um estudo direcionado para essas transformações (pág.15, 1954):

“Além da teoria da transmissão de mensagens da engenharia elétrica, há um campo mais vasto que inclui não apenas o estudo da linguagem mas também o estudo das mensagens como meio de dirigir a maquinaria e a sociedade, o desenvolvimento de máquinas computadoras e outros autômatos que tais, certas reflexões acerca da psicologia e do sistema nervoso, e uma nova teoria conjetural do método científico”
O mundo agora exige do homem novos domínios, as habilidades de manejo de conhecimento apontam cada vez mais para o domínio da máquina, Helmar Frank (1966, pág.43), diz:

“Se entendemos por fundamentos filosóficos toda preocupação com as questões da realização e da validade de conhecimento, é natural que nos ocupemos consecutivamente com o problema da assimilação de Informações”

Essa assimilação de informação massiva faz com que o homem torne-se dependente de um ciberespaço, absorvendo as novas realidades e as transformando.
FRANTZ, no seu artigo sobre Universidades Comunitárias, referindo-se ao que se poderia chamar de “Comunidade Cibernética”, enfatiza às considerações feitas por MARQUES ( 1999, pp.120-121) afirmando que:

“No ciberespaço contróem-se universos virtuais, línguas e saberes mutantes. Habitam-no imaginantes coletivos em permanente reconfiguração dinâmica, mundos vivos continuamente engendrados pelos processos e interações que neles se desenrolam ao brotarem dentro dele como espaços antropológicos, plenos de existência, reestruturantes, irrevesíveis. Os espaços dos territórios e os das mercadorias abrem-se para novos espaços os dos saberes emergentes de circulação, da associação e das metamorfoses das comunidades pensantes, produzindo, cada qual, seu mundo virtual, sua identidade coletiva, suas realidades potenciais,m das quais participam os indivíduos, pluralizando suas identidades, explorando mundos heterogêneos e múltiplos, sempre em devir pensantes.”

O resultado desse processo científico e tecnológico é a globalização, o sociólogo e historiador italiano Domenico De MASI, professor da Universidade de Roma (1999), afirma que essa globalização, é um instinto humano. Podemos dizer então que no gene do espírito humano há um impulso para manejar informações em sentido de se universalizar.

Conclusão

As relações do processo tecnológico no mundo se dão de maneira gradual e evolutiva. Deste os primeiros passos do homem em direção a técnica, já fazia parte do espírito humano a vontade de manejar a informação para seu melhor uso.
São relações de necessidade, onde a produção e a busca do ideal alavanca novas tecnologias em cima das já existentes. A tecnologia está programada para relações consumo, onde a realidade do dia a dia impõe novas necessidades.
Estas novas tecnologias estão influindo de maneira positiva, trazendo melhores condições de educação, trabalho e saúde, pois os estados com baixas tecnologias, que além de privar os indivíduos de recursos básicos necessários, ainda os privam de liberdade de pensamento e direito de oposição política. As empresas e os paises mais poderosos do mundo são aqueles que criam coisas e idéias, não apenas as reproduzem em fábricas, segundo De MASI, a maior criação tecnológica deste final de século foi a rede mundial de computadores, a Internet. E o poder estará na mão de quem tiver criatividade.

Bibliografia citada:

Bolzano, Bernard, Was ist Philosophie? (Que é filosofia?) Editor Wilhelm Braumüller, Viena, 1849 (Reeditado por Editora Schnelle, Quickborn Hamburg, 1960).

De Masi, Domenico. A Emoção e a Regra. Rio de Janeiro: Trad. José Olympio, 1999.

De Masi, Domenico. Desenvolvimento sem Trabalho. São Paulo: Editora Esfera, 1999.

Ducrocq, Albert. Die Entdeckung der Kybernetik (A Descoberta da Cibernética) Europäische Verlagsanstalt, Frankfurt/ M., 1959, 243 págs. (Em francês: Découverte de la cybernétique, René Julliard, Paris, 1955).

Frank, Helmar G., Cibernética e Filosofia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1970

Freire, F. M. & Prado, M. E. “Professores construcionistas: a formação em serviço”. In Anais do VII Congresso Internacional Logo e I Congresso de Informática Educativa do Mercosul. Porto Alegre, LEC/UFRGS, 1995.

Freire, P. Educação e mudança. 14. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979. Coleção Educação e Comunicação.

Günther, Gotthard. Das Bewsstsein der Maschinen. Eine Metaphusik der Kybernetik (O Consciente das Máquinas: Uma Metafísica da Cibernética), Agis Verlag, Baden-Baden, 1957.

Lévy Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. Editora três, 1995.

Marcuse, Herbert. A Ideologia da Sociedade Industrial – O Homem Unidimensional. Editora Zahar – Rio de Janeiro/RJ, 1982.

Marques, Mário Osório. Conhecimento e modernidade em reconstrução. Ijuí: UNIJUÍ, 1993.

Marx, Karl. Trabalho Assalariado e Capital. Lisboa: Avante/ Sarl. 1981

Paviani, Jayme. Problemas da Filosofia da Educação. Cultural, político, ético na escola, pedagógico, epistemológico no ensino. Rio de Janeiro, Editora Vozes Ltda,1987.

Pimenta, Joaquim. Sociologia jurídica do trabalho. Editora MaxLimonad, 1994

Romer, Paul. Nova Teoria do Crescimento. Universidade de Stanford. 1998

Silva, Benedito. Da documentação a informática. Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1973.

Steinbuch, Karl, Bewusstsein und Kybernetik. (Consciente e Cibernética). Grundlagenstudien aus Kybernetik und Geisteswissenschaft, vol. 3, nº. 1, 1962.

Wiener, Norbert, Cybernética para controle e comunicação de animais e máquinas. Paris, Hermann & Cie, 1948.

Bibliografia consultada:

David, Aurel – A Cibernética e o homem. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian – Serviço Educação, 1995
Jolivet, Regis – Curso de filosofia – Editora Agir – Rio de Janeiro, 1955
H.W. Janson – História da Arte, 2ª edição, Martins Fontes Editora Ltda, São Paulo, 2001
E.H. Gombrich – A história da Arte, 13a edição, Phaidon Press Limited.
Coli, Jorge – O que é arte – Editora brasiliense, São Paulo, 1995.

Eloir Antônio Oliveira da Silva


Psicologia Transpessoal

23 de agosto de 2009

A Psicologia pode ser definida como a ciência do comportamento do homem em suas relações com o ambiente e das atividades do eu profundo.

Este eu profundo deixa como conexão a oportunidade de uma nova psicologia, a transpessoal, conceituada como além do pessoal, ou além da personalidade.

A personalidade tem sido aceita como o foco central para as escolas de psicologia, para qual o homem é a sua personalidade. A PT como também é denominada, atribui menor importância a sua personalidade, pois esta é vista apenas como um dos aspéctos do ser, com o qual o indivíduo pode mas não deve permanecer indentificado

A psicologia transpessoal reintroduz no campo da psicologia ocidental a noção de conciência de unidade, e simultaneamente aproximando as escolas de psicologia com a busca do espiritual. A Psicologia transpessoal procura somar os principais aspectos das escolas ocidentais a um reconhecimento da importância da dimensão espiritual do indivíduo. Neste campo Jung é uma de suas principais fontes. A PT reúne portanto os sistemas conceituais da ciência contemporânea à busca espiritual das ciências esotéricas. Em outras palavras, procura fornecer uma abordagem integrativa e inovadora do ser humano, muito próximo do holismo, corrente que propõe uma visão mais ampla, unindo os últimos avanços da ciência ao saber tradicional.

A psicologia transpessoal sucedeu a psicanalise de Freud, o behaviorismo e a psicologia humanística nos Estados Unidos na década de 60, representando o ponto de convergência dos intelectuais insatisfeitos com a visão do paradigma da psicologia ocidental, limitado a um único nível de consciência.

As tendências originais de psicologia transpessoal são atribuidas a Abraham Maslow e Anthony Sutich, ambos responsáveis pelo movimento da psicologia humanística, do qual a psicologia transpessoal é uma extensão. Entre os principais nomes da PT destacam-se Richard Price, Michael Murphy, Stanislav Grof, Ken Wilber, Roger Walsh, Frances Vaighan entre outros.

A psicologia transpessoal esta voltada para as experiências dos níveis superiores de conciência, nas aspirações que podem conduzir as pessoas a uma busca espiritual e mudança de valores individualistas.
Os terapeutas da PT consideram todos os niveis de consciência, o físico, emocional, mental e espiritual.

Os niveis são trabalhados com técnicas de yoga, meditação e conforme a necessidade das escolas tradicionas como a reflexológica (estimulos-resposta ), behaviorista ( conjunto de sistemas de hábitos ), Psicanalítica ou Froidiana ( causas ocultas do inconsciente ), Gestáltica ( Lei das formas ), e a escola Junguiana, não aceita por muitos psicólogos por basear-se em dados clínicos destituidos de provas, embora sua teoria da personalidade é um dos mais notáveis acontecimentos do mundo contemporâneo. ( homem cosmológico ).

A meditação é usada como ferramenta para os quatro niveis, pois é algo maior do que a mente. Não é algo que aconteca na mente, é algo que acontece fora da mente. Caso contrário a mente seria capaz de defini-la, de conhece-la e de compreende-la.
Assim não é algo que acontece na mente, mas para a mente. É como a morte acontecendo para a vida. A meditação é uma morte mais profunda, não física, mas psíquica. E quanto mais profunda a morte, maior a possibilidade de renascimento.

A Yoga é dividida atualmente em mais de 20 linhas, as mais conhecidas são:
Svásthya – Auto suficiência
Hata – Força
Karma – Ação reação
Bhakti – Devoção religiosa
Jñana – Conhecimento de si mesmo
Raja – Real, controle mental
Maha – União de todas
Purna – Agora, a cada segundo

Embora a preucupação essencial seja com os niveis superiores, ela não perde de vista a meta do crescimento harmônico, o que basicamente pressupõe muita atenção com todos os niveis de consciência, procurando a cada nivel o trabalho necessário de integração e transcendência.

Nivel físico – Alimentação equilibrada – Hata Yoga

Nivel emocional – discernir e vivenciar suas emoções, tanto positivas quanto negativas, saber expressar o amor e a compaixão, melhorar seus relacionamentos, etc. – Raja Yoga

Nivel Mental – Nivel mental da consciência, eliminação de barreiras, preconceitos, fanatismos e rigidez ideológica – Maha Yoga

Nivel Espiritual – Sabedoria Interna – Jñana Yoga

As linhas exemplificadas aqui para cada nível ficam de acordo com o terapeuta, podendo serem subsituidas por outras linhas conforme a necessidade de transcendência.

O que é o Yoga:

Yoga é união, visa a auto integração.

O homem se uniu a outros homens e constituiu a civilização, e toda a vez que essa civilização parece lhe oprimir, já que acima de tudo é um sub produto do intelecto disciplinador do instinto, ele se volta para suas origens e busca no Yoga a união cósmica, ou sendo conhecendo a si mesmo conhece o todo.

Não se pode precisar a data do surgimento do Yoga, porquanto os mais antigos documentos históricos ou arqueológicos refern-se a ele como algo já muito ancestral. Lendas afirmam que as técnicas do Yoga teriam originado-de da Lemúria e herdado pelo povo Atlante, onde mais tarde foram levados para a Ásia, e recebidos na India com o nome de Manus, na tecnologia psicossomática foi denominada de Yoga. Da India foi para o Egito, e após para a Grácia nas suas escolas iniciáticas.
Calcula-se que a cerca de tres mil anos o Yoga começou a se dividir e se subdividir em dezenas de especialidades. Sob um aspécto issso foi positivo, pois passou a oferecer alternativas simplificadas mais facilmente aplicaveis a cada temperamento humano, ou a cada interesse mais ou menos imediato. Todavia sob outro aspécto fragmentou sua estrutura antiga que éra considerada íntegra e perfeita.

Hoje o Yoga tem grande aceitação popular, bem como da classe médica e dos psicólogos de todas as áreas. Já é introduzida como curso de extensão em Universidades Federais, Estaduais e Particulares de nosso pais.

A preucupação básica da psicologia transpessoal é compreender os processos psicológicos relacionados a evolução da consciência e a de tornar reais os estados de iluminação. Trata da expansão da consciência para além da fronteiras do ego e da percepção espaço-tempo da nossa consciência ordinária. Ocorre então uma percepção não dual, ou seja o desaparecimento da separação sujeito objeto, transcendendo o senso do eu separado.

Segundo Ken Wilber o estado transpessoal não é um estado alterado de consciência, e sim o único e verdadeiro estado de consciência que nos remete as experiências como o nirvana, estado de graça ou qualquer outra designação do gênero. Quando este fenômeno ocorre reina a paz interior, a verdadeira liberdade irradiando em torno de si beleza, amor e verdade.

Biografia:

Tobone, Marcia – Psicologia transpessoal
( Mestre em psicologia clínica com formação Junguiana pela PUC – SP.
Editora Cultrix – São Paulo, 1988

De Rose, Luis Sérgio Álvares – Prontuário de Yoga Antigo
( Professor de Yogaterapia da Escola Superior de Psicanalise Sigmund Freud, orientador do curso de formação de yogaterapeutas e instrutor de yoga da Faculdade de Ciências Biopsíquicas de São Paulo e Presidente da União Nacional de Yoga).
Editora Ground Ltda – São Paulo, 1969

Rajneesh, Bhagwan Shree – Eu sou a porta
Editora Pensamento – São Paulo, 1995

Weor, Samael aun – Tratado de psicologia revolucionária
Editora Brasil na nova ordem – São Paulo, 1977

França, Elah Lopes – Enciclopédia ilustrada para a educação básica – psicologia -Vol.11
Editora Educacional Brasileira – Curitiba, 1981

Eloir Antônio Oliveira da Silva

O uso de banco de dados na Cibernética

22 de agosto de 2009

A micro informática é hoje o processo tecnológico mais próximo do homem, é usado para armazenar, pesquisar, controlar a informação, graças a cibernética, propõe a unir diversas disciplinas científicas através de uma metodologia comum dentro de uma mesma óptica, servindo-se da teoria do comando e da teoria da informação, que teve como pioneiro Claude Shannon que baseou-se em unidades logarítmicas de base dois, e Hartley usando logaritmos de base dez, ambos trazendo-nos unidades de medida de conteúdo de informação. A teoria do comando manipulando a informação deu-nos a oportunidade da criação de banco de

Os mais populares começaram na década de 80 e no início dos anos 90, como o dBase, FoxPro e do Clipper. Os índices do xBase são armazenados como arquivos separados. Em razão do número dos produtos xBase que competem no mercado, existem diferentes formatos de índices. Os antigos arquivos NDX do dBase e NTX do Clipper são índices de expressão simples. O Fox Pro introduziu a idéia do índice composto que tem uma extensão .CDX. Aqui, todos os índices para um arquivo DBF são armazenados em um arquivo de índice e referenciados por um número descritor. Desse modo quando um arquivo DBF é aberto, o CDX com o mesmo nome que o DBF também é aberto. Além disso, além de armazenar as expressões de índice com maior eficência, reduz o número de indicativos de arquivos que são necessários.
Quando um registro é excluído de um arquivo xBase, ele não é removido fisicamente do arquivo. Em vez disso, o bit excluído do registro é ativado, e meramente marcado para a exclusão. Todo arquivo xBase contém um bite extra por registro para armazenar o atributo de excluído.
O Paradox, da Borland, armazena múltiplas tabelas dentro de um arquivo que tem a extensãp .DB. As informações de chave primária estão armazenadas em um arquivo PX separado que precisa estar disponível para obter acesso.
O Btrieve é um formato de armazenamento binário que armazena dados como bytes de informações em certas posições e intervalos, mas sem uma estrutura de campo de cabeçalho. Uma definição de campo de arquivo Btrieve é passada como um parâmetro de arquivo de definição de dados (DDF-Data Definition File) quando o arquivo Btrieve for aberto
A teoria moderna do projeto de banco de dados baseia-se no trabalho embrionário do Dr. E. F. Codd, um pesquisador que trabalhava no laboratório de pesquisa da IBM em San José. Em junho de 1970, ele publicou uma monografia intitulada A Relational Model of Data for Large Shared Data Banks. O modelo relacional discutido no trabalho de Codd serve como fundamento para maioria dos modernos Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados Relacionais (RDBMS). Codd aplicou a teoria dos conjuntos matemáticos nas relações de um banco de dados, e declarou que o armazenamento lógico de um banco de dados é independente de seu armazenamento.
Oracle é o mais famoso RDBMS no mundo. Noventa por cento das 500 maiores empresas listadas pela revista Fortune usam Oracle como seu servidor principal de banco de dados.
Oracle tem uma versão para quase todo sistema operacional, rodando em quase todo tipo de hardware, de um PC a um supercomputador Cray. O preço é definido de acordo com o número de processadores usados e o número de usuários simultâneos. As implementações grandes de Oracle pode custar vários milhões de dólares apenas em taxas de licenciamento.
SQL Server é o sistema banco de dados avançado da Microsoft. Como é muito mais robusto que o Access, permite que a Microsoft concorra com RDBMSs tais como o Oracle na arena das pequenas empresas e no uso departamental. Os requisitos de alocação de dispositivo de gerenciamento de objetos usam terminologias diferentes, mas o mesmo princípio que o Oracle.
O MySQL é hoje um dos mais rápidos programas para servidores de SQL ( do inglês, “Linguagem de pesquisa simples”) desenvolvido pela T.c.X. DataKonsultAB. Além de oferecer vários recursos não existentes em outros servidores, o MySql tem a vantagem de ser totalmente gratuito para uso tanto comercial, quanto privado. Tem a capacidade de lidar com um número ilimitado de usuários, manipular mais de 50 milhões de registros, sistema de segurança simples e funcional e o mais rápido do mercado.
O processamento eletrônico de dados, termo atualmente muito pouco usado frente ao neologismo informática do inglês Informatics, formada pela junção de information + eletronics, definida popularmente no português por informática ( informação automática ) é o cerne da cibernética contemporânea, trazendo-nos a oportunidade de um contato imediato com a inteligência artificial individualizada e globalizada, tanto no domínio do usuário doméstico, como do corporativo.
A cibernética contemporânea é hoje delineada pela cyberfilosofia, que mostra o papel sociológico, alterações psicológicas no comportamento e a visão antropológica do espaço temporal do peopleware. O banco de dados como núcleo de uma ciência da informação tem papel decisivo no conjunto da cibernética, e deverá juntamente com o Sistema operacional, programas e aplicativos ter uma reflexão filosófica voltada para a influência político-econômica da globalização, levando-se em conta o direito universal de informação.
A cibernética também interage dentro do processo da qualidade da informação, controlando a entropia1 e o Feedback2 da mensagem, ampliando o processo de inteligência artificial no processamento da informação.
O banco de dados como parte integrante do processo de qualidade da informação deverá ter várias análises na sua escolha;
- Capacidade de integração com a multimídia através da imagem e som para uma interface mais amigável com o usuário, e melhor compreensão da mensagem através da estética.
- Otimização no relacionamento entre pontos de alocação de informação.
- Velocidade e poder de multiprocessamento dos signos.
- Versatilidade para o uso em multiplataformas.
- Capacidade de integração da mensagem dentro da rede mundial como meio econômico cultural.
- Custo benefício do software para um desempenho social globalizado.
O banco de dados na temporalidade contemporânea deve ter uma constante abordagem técnica. O valor didático de um modelo técnico pode ser interpretado como caso peculiar de valor heurístico. Pois em última instância o valor heurístico consiste na aceleração do processo científico, enquanto o valor didático consiste na aceleração da aprendizagem.

1. Tendência a desorganização.
2. Resposta, realimentação, regeneração

Eloir Antônio Oliveira da Silva


A técnica nas artes e sua reprodutividade

22 de agosto de 2009

A palavra arte vem do latim ars e corresponde ao termo grego techne, técnica, significando: o que é ordenado ou toda espécie de atividade humana submetida a regras.
Nas culturas atuais o emprego maciço da técnica fez surgir várias soluções e novos problemas, boas e más conseqüências, tanto sociais como psíquicas, fazendo com que os psicólogos filósofos voltassem a atenção para a técnica em si, ou seja, sua história e sua gênese, visando através da especulação, a intuição de um prognóstico para o futuro da técnica e sua reprodução nas artes.

Entre as questões fundamentais do pensamento humano, estão a verdade, o ser, o bem e o belo. A filosofia especula a verdade com a teoria do conhecimento, o ser e o bem com tratados de ontologia e ética, e o belo com tratados de estética.
A estética ou filosofia da arte é o pensamento filosófico que estuda a arte e o belo. Derivada do grego “Aisteses” (percepção), a palavra estética remete a compreensão proveniente da apreensão sensível, a intuição da beleza pelo próprio conhecimento que temos dela. A beleza supõe por tanto uma relação do ser com a inteligência, logo toda a compreensão da beleza pela inteligência encera um juízo explicito, e esse juízo que a arte vai recebendo pelo seu caminho na história é o ponto de crítica de Walter Benjamin que especula na arte a técnica e a sua reprodutividade.
Na história da arte a técnica sempre esteve presente com menos ou mais sofisticação. Pertencem ao paleolítico final, cerca de 35.000 anos, as mais antigas obras de arte conhecidas, que longe de qualquer modesto primitivismo levam a supor que são frutos de milhares de anos de lento amadurecimento e técnica.
A técnica nasceu da necessidade de controlar e dominar processos que venham a facilitar o desejo do homem (na obra de arte é o desejo do ideal), é o conjunto de conhecimentos definidos e sistemáticos que deve anteceder um trabalho seja ele mecânico, científico, artístico, ou outro qualquer. A técnica na arte se dá pela prática, que traz o amadurecimento do artista no seu processo de criação, fazendo com que ele possa expressar o seu ser e sua cultura com mais precisão.
Entre as mais antigas obras de arte encontram-se as estatuetas de marfim de mamute, que apareceram em uma caverna no sudoeste da Alemanha. São de tal maneira bem acabadas, que representam forçosamente o fruto de uma longa tradição e amadurecimento artístico, que serviu durante a história para demonstrar a relação do seu ser com o mundo.
Na pré-história as pinturas rupestres ficavam em salas de dificílimo acesso. A caverna Lascaux, na França, foi por acaso descoberta por alguns rapazes que procuravam um cão que havia caído em uma cova ligada a câmara das pinturas. Escondidas nas entranhas da terra, fora do alcance de eventuais intrusos essas imagens devem ter obedecido a um propósito muito mais sério que o simples gosto de decorar, parece que foram executadas para servir um rito mágico, destinado talvez a assegurar o êxito da caça.
A necessidade de expressão através da arte levou o homem pré-histórico ao primeiro passo rumo a técnica artística, iniciando com uma limitada paleta de cores restrita ao preto, branco, amarelos e marrons, obtidos com madeira, ossos queimados, gesso, sangue e terra de cor. Os egípcios na idade do bronze usavam instrumentos metálicos para moer os minerais dos quais se utilizavam para as pinturas, suas paletas de cores pela técnica já se havia ampliado, obtiam o roxo do cinábrio, azul da azurita, verde da malaquita, e amarelo do oropimente.
Os romanos introduziram o pigmento azul-verdoso, apartir de pranchas de cobre corroídas, os árabes introduziram o bermellón, uma combinação de azufre e mercúrio, formando um roxo mais brilhante que o cinóbrio, introduziram também o azul ultramar oriundo de uma pedra semipreciosa, a lapisázuli.
A pintura teve influência da tecnologia através do desenvolvimento da indústria química, que possibilitou a ampliação de gama de cores e fabricação industrial de tintas.
Na atualidade uma variedade de materiais artísticos é fabricada com técnicas modernas, mas em muitos casos se segue implementando métodos tradicionais, pois os melhores tecidos para pintura seguem sendo os de linho puro, e é impossível fazer um azul ultramar puro sem recorre ao lapirázul moído.
Além do processo técnico de criação de materiais para servir a obra de arte, a técnica de execução é também firmada por meio de regras, e estas são formulados depois de muitos experimentos. Os artistas do renascimento europeu por exemplo, estavam profundamente interessados nas regras de proporção e localização no espaço, uma maneira de utilizar a forma com técnica.
A forma é o resultado da intenção criativa, da organização do desenho e sua composição. Exemplo é a proporcionalidade que os renascentistas deram ao corpo humano, sendo dividido em 8 partes iguais, ficando a cabeça com exatamente 1/8 do corpo, servindo de método de referência as futuras reproduções.
Os métodos básicos da cópia pela impressão artística são conhecidos na Europa há 500 anos e acredita-se que eles estavam inspirados por técnicas que já eram usadas na China há 1.400 anos. O método mais simples de cópia, a impressão em relevo, consiste em esculpir formas em um bloco de madeira ou outro material deixando uma superfície alta que é recoberta com algum tipo de tinta. Então é colocado um papel encima, prensando-se de forma que a tinta da imagem em relevo passe para o papel. Deste modo exposto, parece muito simples, e de fato é, um menino pode-se fazer isto usando uma simples batata. Nas mãos de um artista como o Kitagawa Utamaro japonês (1753 – 1806), os mesmos princípios são coquetéis, com materiais especiais e uma grande habilidade, se torne um tipo de refinada arte.
O procedimento oposto é a impressão em sulcos: neste método a tinta acumula nos sulcos e áreas deprimidas. Depois de limpar as áreas altas é feita a prensagem contra o papel.
Outras duas técnicas fundamentais existem. A litografia é o método planográfico, quer dizer, a impressão é deixada a partir de uma superfície plana e usa gordura que retém a tinta, e água que a repele. A quarta técnica é a serigrafia, que usa emulsão com sensibilizante em uma tela de nylon. Esta emulsão é sensível a luz, e entre ela e a luz fica a arte final em papel vegetal ou poliéster e um vidro servindo de base, após um determinado tempo de exposição à emulsão é lavada. Onde a luz atingiu, a emulsão fica fixa e onde a luz ficou barrada pela arte final a emulsão e rompida, permitindo a passagem da tinta.
Inicialmente, as impressões se faziam à mão, com a invenção da imprensa, as impressoras tipográficas e litografias se tornaram a forma principal de ilustrar livros, revistas e jornais. Além de ser mais barato e mais rápido, estes métodos permitiram a impressão em várias cores.
A reprodução da escultura se dá a milhares de anos com a técnica de fundição em moldes. Figuras de cera bem conservadas foram encontradas em tumbas egípcias; durante a dinastia Shang (1766 – 1123 a.c.), se usava cera para fundir vasilhas de bronze para cerimônias; os antigos gregos usavam moldes para fundir figuras religiosas; os romanos usavam formas para copiar imagens de personagens importantes e esculturas gregas dos quais eram grandes admiradores. Essas esculturas eram copiadas manualmente ou pelo processo de molde em cera. Graças a essas cópias temos conhecimento de muitas obras dos quais os originais já foram destruídos.
Na Itália nos fins do século XVI surgiram as academias de arte (derivado de Académos, os jardins de Atenas, onde Platão se reunia com seus discípulos), eram associações particulares de artistas que se reuniam periodicamente para desenhar apartir de modelos vivos e discutir questões de técnicas e da teoria da arte. Na França porém a academia Royale de pintura e escultura, tendo como diretor Lebrun (1663), estabeleceu um rígido currículo obrigatório de instrução prática e teórica, baseado em, um rígido sistema de regras.
Os escultores e pintores reproduziam para a sua aprendizagem obras de arte com uma técnica doutrinada pela vontade do Rei Luis XVI, o estilo Real (classicismo). Nos jardins do palácio de Versalhes (sede do rei e sua corte) foram colocadas centenas de cópias de estátuas clássicas gregas.
Hoje em dia a reprodutividade técnica da escultura se dá através da robótica, no qual braços mecânicos com fresas copiam do original, ou reproduzem maquetes gráficas para posterior uso na indústria de moldes para a fabricação de formas destinadas a cópia dos mais variados tipos de peças.
Ou por imitação feita por discípulos e aprendizes, ou por lucro, a obra de arte sempre será copiada, e com o aperfeiçoamento da técnica, essas cópias serão cada vez mais idênticas e em larga escala.
A aura da obra de arte não se estende a cópia, ela é o selo da própria autenticidade, pois mesmo na reprodução mais perfeita o elemento aqui e agora do original está ausente, sendo só a ele possível o desdobramento da historicidade, tanto nas transformações físicas pela passagem do tempo, como nas relações de propriedade que ela ingressou.
A reprodução da obra de arte pode correr por dois vieses, o primeiro pela cópia manual, considerado geralmente falsificação, e o segundo pela reprodução técnica, que como a exemplo da fotografia e considerada por muitos como arte, embora a ela não seja atribuída a aura, pois falta o aqui e agora do original. Mas por outro lado ela ganha a existência serial possibilitando o original ir ao observador nas situações mais adversas, como por exemplo, um árabe no deserto ver uma fotografia de uma escultura de gelo.
A reprodução técnica na fotografia fornece também mais autonomia ao processo de reprodução, conseguindo inclusive alterar o estado original na cópia, ou seja através de películas, iluminação, velocidade do obturador, abertura da lente ou interferências de computação gráfica.
A técnica funde milhares de fotografias a 30 frames por segundo permitindo dar movimento real a elas, nascendo assim o cinema, que é hoje considerado a 7a arte, vindo após a pintura, escultura, arquitetura (artes plásticas), música, coreografia e literatura (artes de movimento).
O cinema sucede a ópera e ao teatro, é o espetáculo da idade industrial, e sua vitalidade está garantida enquanto indústria do espetáculo. Na ópera, no teatro, o custo de cada representação é muito alto, no cinema ao contrário, os grandes investimentos, muito onerosos, fazem-se no momento da fabricação do filme. O resultado fica contido em alguns rolos de celulóide, produto que se pode multiplicar indefinidamente. O enorme esforço de produção é, portanto “cristalizado” materialmente e renderá enquanto for projetado e houver público para vê-lo. Assim, o custo relativamente elevado da produção é facilmente amortizado pelo pequeno preço da exibição e pela sua capacidade de atingir um público vastíssimo incomparavelmente superior ao que pode tocar uma produção teatral.
A obra de arte é engendrada por funções sociais e econômicas precisas, na pré-história era usada para fins mágicos, na idade média, a igreja foi o mecena das artes com objetivo de dominar os fiéis pela leitura pictural dos quadros, no renascimento como forma de libertação dogmática e expressão científica, no barroco como processo de contra-reforma e absolutismo real, na modernidade como reflexão e crítica social e hoje na contemporaneidade como processo de marketing e produção capitalista.
A nossa cultura atribui a arte um papel elitizante e superior, tocar piano era, não faz muito tempo parte integrante de moças de boa família, como ainda hoje é envia-los ao balé. O álibi do aprimoramento artístico esconde a afirmação de classe. Podemos dizer que a arte em certos casos torna-se a insígnia de uma superioridade que um grupo determinado confere a si mesmo. A reprodutividade técnica nesse contexto traz uma popularização da arte, correndo o risco da mensagem engendrada no cerne de sua criação estar comprometida com interesses econômicos e políticos.

Conclui-se que o acesso à arte depende de circunstâncias materiais e meios concretos, ela não é dada a todos, principalmente em um país subdesenvolvido como o nosso. Assim somos obrigados a um grande esforço para buscarmos a arte, principalmente a arte com aura, possível somente a quem tem condições econômicas de pagar um ingresso de uma peça de teatro ou ópera, viajar para ver uma exposição, concerto ou até mesmo ir ao cinema. Resta-nos conhecer a arte pela técnica; televisão, rádio, cd’s e todo emaranhado tecnológico que permite reproduzir a obra de arte.

Bibliografia:

Jolivet, Regis – Tratado de filosofia – Metafísica – Editora Agir – Rio de Janeiro, 1965
Jolivet, Regis – Curso de filosofia – Editora Agir – Rio de Janeiro, 1955
Manual Del Artista – Editora Novograph S.A. – Madrid, Espanha
H.W. Janson – História da Arte, 2ª edição, Martins Fontes Editora Ltda, São Paulo, 2001
E.H. Gombrich – A história da Arte, 13a edição, Phaidon Press Limited.
Coli, Jorge – O que é arte – Editora brasiliense, São Paulo, 1995

Eloir Antônio Oliveira da silva